10 de dez de 2013

A violência das torcidas de futebol e a responsabilidade dos dirigentes dos clubes

Segundo o tenente-coronel João Fiorentini, comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) do Rio de janeiro, em entrevista à CBN-RJ (link no rodapé):
  • Há torcidas (organizadas) que nunca se envolvem em episódios de violência;
  • Há torcidas (organizadas) que sempre se envolvem nestes episódios;
  • Nestas últimas, há indivíduos que não se envolvem em brigas;
  • Os dirigentes de clubes apoiam TODAS as organizadas, sem distinção, e transferem a responsabilidade pela segurança unicamente à PM;
  • O dirigentes de clubes não deveriam fornecer incentivos àquelas torcidas envolvidas em episódios de violência, colaborando assim não apenas com a PM, como também com a própria segurança dos demais torcedores; os clubes se põem de fora do problema que eles mesmos ajudam a provocar;
Todos os grandes clubes do país têm organizadas conhecidas pela violência. Os vascaínos envolvidos na briga do último domingo tiveram, por exemplo, ingressos subsidiados pelo clube (dos R$ 100,00 estes torcedores pagaram apenas R$ 25,00) além de ajuda no transporte da torcida. Todos os clubes provavelmente fazem o mesmo com suas torcidas.

Os brigões identificados, responsabilizados e punidos teriam de comparecer à delegacia nos horários dos jogos de seus clubes, mas há dúvidas se este controle é realizado. O que a PM faz é um controle visual para que estes indivíduos não adentrem no estádio, durante a punição.

Uma das organizadas citadas na entrevista tem sessenta mil sócios no Brasil (nem todos são brigões); é um negócio lucrativo, com a venda de camisas, bonés, agasalhos e outros itens. Quando sofrem punição mais severa e não podem entrar nos estádios, têm também prejuízo financeiro. Isso ajuda, um pouco, a conter a violência.

O que cabe perguntar é: Se aos dirigentes de clubes interessa apenas o número de torcedores nos estádios e o lucro; se aos dirigentes de torcidas organizadas, o lucro; e aos torcedores das organizadas ir aos estádios pelo menor preço possível (e aos brigões que delas participem, além disso, ter a oportunidade de trocar uns sopapos com quem quer que seja), quem é que "levantaria a bandeira" contra os tais incentivos dos clubes às torcidas organizadas?

Ótima entrevista com o comandante Fiorentini, com duração de 15 minutinhos: cbn.globoradio.globo.com

9 de dez de 2013

Futebol, paixão, bullying, barbárie

Costumo dizer que a Terra não é redonda por acaso: a gente sempre se encontra lá na frente...

No final de 2012, a torcida alvinegra foi bastante tripudiada porque o Botafogo foi o único time carioca a ficar de fora da Copa Libertadores de 2013. 
Nenhum dos adversários cariocas, no entanto, sequer disputou a finalíssima da "Liberta", foram lá apenas para fazer figuração; ou seja, não tinham time para competir de verdade (como o Botafogo de hoje, que mesmo que se classifique na próxima quarta-feira - depende do resultado do jogo Ponte preta X Lanuz (ARG) - também não tem).
 
Muitos levam a paixão pelo time que torcem tão a sério que, no afã dos insucessos do time adversário, perdem a linha e, sem pensar, ofendem ou magoam os próprios familiares e amigos que torcem - alguns tão apaixonadamente como eles - para estes times adversários. (aqui faço um possível mea-culpa, já que posso ter feito isso no passado, sem perceber; mas um dia a gente tem que amadurecer, né?)
Isso quando não se envolvem em conflitos bem mais sérios fora ou dentro dos estádios, como o que ocorreu ontem no jogo Atlético-PR X Vasco.

A queda de Fluminense e Vasco para a "segundona" é um "prato cheio" para os torcedores adversários, mas em respeito aos meus amigos e familiares tricolores e vascaínos, eu, particularmente, abstenho-me: os próprios dirigentes destes times já zoaram o suficiente as suas respectivas torcidas.