28 de jul de 2011

Medo de avião

Há poucos dias fiz minha terceira viagem de avião. Algumas pessoas me perguntam se tenho ou não medo. Mas responder simplesmente com um sim, para mim é insuficiente, já que apenas parte disso é verdade, por mexer também com emoções desejadas e/ou necessárias.

Há tempos, eu tinha um sonho recorrente. Estava em um lugar aberto, e quando me dava conta, estava flutuando ou sobre algum objeto - bicicleta, inclusive - em movimento, numa altura bastante amedrontadora. Acordava assustado. Com o tempo, passei a controlar, nestes sonhos, uma descida segura, sem medos. Depois de alguns anos de análise (a Transacional), comecei a compreender melhor o porque destes sonhos - que não vou explicar aqui, já que este não é o objetivo deste texto - e que o tal controle de "aterrisagem" nos sonhos também pode ter vindo como resultado da terapia. Necessário dizer que já não tenho estes sonhos há bastante tempo.

Então, já temos caracterizado aí um certo medo de altura. Mas não é um medo generalizado: uma das coisas que mais gosto de fazer é caminhar por trilhas e subir até os pontos mais altos das montanhas. Embora pouco viajado, já estive em alguns lugares "sinistros" e muito altos. Tudo com a cautela necessária para evitar acidentes, mas com muito frio na barriga e prazer de olhar a paisagem ao redor.

E por falar em frio na barriga, quando eu era bem jovem pensava em ser piloto de karts ou carros de competição. Obviamente, medo de velocidade eu não tenho, desde que possa contar com a segurança necessária. Adoro dirigir em estradas! Calma, não fugi do assunto: Velocidade, sim, mas sem piruetas, como aquelas dos brinquedos de parques de diversões. Velocidade com sobe e desce, com movimentos bruscos, é coisa que não me atrai, me causa desconforto físico, com direito a tonteiras e, eventualmente, enjôos.

Outro medo, bastante natural, creio, é o medo de lesões ou da morte. O meu senso de autopreservação é muito exacerbado; detesto me machucar, principalmente se o ferimento for causado por imprudência própria ou dos outros, ou seja, se o 'acidente' realmente não puder ter sido evitado.
Embora espírita - reencarnacionista, portanto - preocupo-me com o momento da morte. Talvez mais pela dor que possa sentir antes ou no momento da passagem (o tal ferimento!), e menos pela passagem em si para outro plano, já que isso é certo para todo mundo. Receio de não ter cumprido aquilo que vim fazer aqui nesta presente encarnação, também tenho, mas isso eu não considero medo, e sim constrangimento, que poderá ser reparado à posteriori.

Então, voltando ao avião: estando nele me exponho, ao mesmo tempo, a estas sensações diferentes.
O medo de altura, que não decorre exatamente de estar em um lugar alto, mas sim da flutuabilidade da aeronave, que não depende de mim, do meu controle; por outro lado, poder ver as nuvens e a paisagem lá do alto dá um prazer enorme.
A velocidade, que não me assusta, é necessária para fazer o avião decolar e se manter no alto. Lembrar disso, de certo modo me tranquiliza, já que eu só ficaria preocupado se a velocidade não fosse suficiente para sua decolagem e sustentação.
Num vôo 'normal', não há piruetas, como nos parques de diversões, mas as variações de altitude, ainda que suaves, e uma ou outra turbulência, me causam desconforto.
Já o medo de lesões ou de morte está presente mais fortemente: mesmo diante de racionais argumentos de que 'perigos há por toda parte', as chances de riscos num avião, a meu ver, são maiores, já que para alguns problemas, não há quaisquer áreas de escape. Realmente, quanto a isso, não me sinto nem um pouco seguro, e não há argumentos capazes de me convencer do contrário.
Mas existe um argumento que estou usando para me convencer de entrar numa engenhoca destas e voar: o desafio destes medos. Não existe melhor forma - acho que nenhuma, na verdade - de se superar nossos medos do que enfrentando-os. Podemos até procurar alternativas, como viajar por um tempo muito maior num carro, ônibus ou navio, mas se queremos ter uma vida mais plena, sem a sombra dos nossos temores a atrapalhar ou retardar nossos passos e planos, precisamos antes de tudo racionalizar o medo, avaliando-lhe os riscos reais e focando nosso objetivo; e, diante dele, finalmente, enfrentá-lo. Mas  permitir-se sentí-lo, um sinal de vida e de okeidade.

Àquela pergunta lá do início do texto, após minha terceira viagem, já respondo com um certo orgulho:

- Sim, tenho medo. Mas posso, quero, é adequado e, portanto, vou.

...

Ao escrever, pensei em duas músicas, que dedico a você, e a mim mesmo:

Cuide-se bem!
Perigos há por toda a parte
E é bem delicado viver
De uma forma ou de outra
É uma arte, como tudo


Cuide-se Bem
Guilherme Arantes
http://letras.terra.com.br/guilherme-arantes/46305


Não fico mais nervoso
Você já não grita
E a aeromoça, sexy
Fica mais bonita

Medo de Avião
Belchior
http://letras.terra.com.br/belchior/44458

6 de jul de 2011

Fora de rumo sem Maiakóvski

"Na primeira oportunidade eles se aproximam e roubam da Educação. E não dizemos nada. 
Na segunda oportunidade, já não se escondem: roubam da Saúde, matam nossa Segurança, e não dizemos nada. 
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa legislativa, rouba-nos a Habitação, permite que explodam bueiros nas ruas, instalam o caos nos Tranportes, e conhecendo nossa passividade, arranca-nos a dignidade. E já não conseguimos dizer nada"

Adaptação do trecho do poema de Eduardo Alves da Costa, atribuído por mais de 30 anos ao russo Vladimir Maiakóvski. (http://www.revista.agulha.nom.br/autoria1.html)

Campo minado carioca

Minha primeira postagem quase sem texto.


5 de jul de 2011

World War II: The Invasion of Poland and the Winter War

Recebi o link de um amigo, e compartilho aqui. Preferi manter o título "ín ínglichi" para deixar mais fiel o assunto.

http://www.theatlantic.com/infocus/2011/06/world-war-ii-the-invasion-of-poland-and-the-winter-war/100094/


Fiquei impressionado com muito do que vi; belas images, mas algumas bem fortes.

Impossível - para mim - olhar as fotos e não sentir nada... amei a 22 e a 41, que refletem - e nos convidam - a diferentes emoções.
Quem fez os registros talvez não tenha tido, naquele momento, noção da dimensão de como estas imagens ecoariam pelo tempo e das reações que provocariam, tanto tempo depois.
O garoto desolado em meio aos escombros... Impressionante. Poderia ser cena de qualquer filme de guerra, mas infelizmente foi realidade - e ainda é, na vida de muita gente.

É meio paradoxal, sei lá... Imagens lindas mas tristes, importantes mas 'dispensáveis', realistas mas surreais. Por um lado, sinto um pesar por esse mal que os serem humanos fazem a si próprios; mas, por outro lado, me sinto bem por não encarar insensivelmente qualquer forma de violência e suas mais diferentes justificativas.

2 de jul de 2011

Hierarquia e poder no trânsito

O tema merece um estudo mais aprofundado pelos especialistas, mas numa simples observação do dia-a-dia percebo que muitos condutores comparam seu "poder" ao tamanho, peso e preço dos veículos que conduzem no trânsito.

Caminhões disputam poder com os ônibus;
ambos costumam desrespeitar veículos menores, utilitários e de passeio;
estes, fazem questão de mostrar sua superioridade com relação às motocicletas e bicicletas;

Paralelamente - e somado a isso -, alguns condutores se acham superiores a outros apenas por que seus veiculos são mais modernos, mais caros e mais potentes do que os dos seus companheiros de trânsito.

Como nem todos se sujeitam a hierarquias impostas, a rebeldia o o conflito são inevitáveis, e o resultado é o caos que presenciamos diariamente nas vias públicas, ao vivo ou pela TV.


Na sobra disso tudo estão os pedestres.