22 de dez de 2007

Faça se a luz, Rioluz!!!

11 de dezembro: solicitei à Rioluz reparo para que se acenda a luz do poste em frente à minha casa. Atendimento telefônico eficiente, me deram até número de pedido e prazo de três dias para execução!
20 de dezembro: minha irmã ligou para a Rioluz reclamando que ainda não haviam feito o reparo. Tomaram nota "reforçando" o pedido.
22 de dezembro, 13:26: até agora, nada.

Tenho a impressão de que as lâmpadas que faltam nas ruas foram todas usadas para iluminar a árvore da Lagoa, e serão -talvez- devolvidas após as festas de fim de ano. Ou vão para o sambódromo.

Aproveitando, havia um buraco pequeno, mas oco e profundo na esquina. Liguei para o Teleburaco. Atendimento telefônico de primeira. Após, pelo menos, 25 dias ligaram da prefeitura para saber se já havia sido reparado: eles não sabem o que seus próprios funcionários fazem. Sim, já estava tapado. Com entulho e cimento, provavelmente feito pelos peões que trabalhavam na obra da padaria em frente ao buraco, já que este serviço deveria ser feito com asfalto.

Porque não desisto de cobrar pelos meus direitos, como a maioria?

Ho, ho, ho é o cacete!*, ou um Feliz Natal pra você.


Há algum tempo sinto certo enfado ante os nossos importados símbolos natalinos: neve, velhinhos obesos que descem por estreitas chaminés, bonecos de neve, trenós e renas. É tudo muito falso para mim, caloroso e acalorado como a maioria dos brasileiros nesta época do ano (dou um desconto pro pessoal do sul.). Botar o sapatinho na janela, na melhor das hipóteses, só vai divertir um cachorro grande durante a noite.

“Papai Noel não se esquece de ninguém”, diz a canção. De certa forma, até acredito nisso, mas ele lembra com incrível precisão dos pedidos das crianças cujos pais tem maior poder aquisitivo; os pedidos das crianças que têm pais menos abastados ou sem-teto ele geralmente esquece, e quando leva alguma coisa (ele prefere mandar entregar, para evitar a lama das ruas sem calçamento depois das chuvas), esta coisa é uma “lembrancinha”. Chato é explicar isso para os pequeninos.

Lembro com a maior satisfação de um Natal em que, pela manhã olhei em baixo de minha cama e encontrei um presente do qual gostei muito (não lembro se foi exatamente o que pedi). Era uma caixa com vários carimbos, com aquarela para pintar as figuras carimbadas.

Lembro também, de outro Natal, quando caiu o mito; meus irmãos cruelmente me informaram que fui enganado todos aqueles anos: o tal do Papai Noel não existia; quem dava os presentes era meu pai, que na calada da noite alimentava-me a ilusão. Baita sacanagem!!!

Acho um saco andar pelas ruas cheias de gente e veículos disputando espaços, e entrar em lojas abarrotadas de pessoas em busca de presentes ou de enfeites para casa, muitas delas impacientes, mal-educadas, ou até mesmo agressivas, contrariando o bom espírito natalino de paz, amor, união e solidariedade entre os povos. Nos dias e noites de festa, comilança (tô nessa, não sou santo e não tenho problemas com a balança!) e bebedeira para muitos, barraco e vexame para outros. Tudo na maior paz e harmonia, já que também é época de perdão e no dia seguinte tudo será relevado.

Para compensar meu pouco entusiasmo natalino, procuro pedir a Deus atenção especial pelos meus companheiros de jornada terrena, não somente os meus familiares e amigos, mas principalmente aquelas pessoas que nunca vi, mas sei que existem em todas as partes do planeta, que passam privações morais e materiais, "permanentes" ou temporárias. Isso alivia meu coração e faz-me sentir útil. Aproveito e deixo esta sugestão para você. Se não for Deus o objeto de sua crença, peça ao cosmos, sei lá... a escolha é sua.

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Há alguns anos faço as minhas árvores de Natal: acho as que são vendidas nas lojas muito feias e sem identificação com a nossa terra (fora os enfeites que já mencionei), e comprei um presépio com personagens de louça, antigo sonho de consumo natalino. O presépio suscita-me a lembrança do verdadeiro motivo de se comemorar o Natal, algo meio esquecido pela humanidade. Papai Noel e o peru vêm sendo mais lembrados que o menino Jesus. Quanto às árvores, feias por feias prefiro as minhas, ainda que estilizadas, já que não dispenso este símbolo. Este ano, por absoluta falta de tempo aboli os cartões que vinha enviando pelo correio nos anos anteriores para pouquíssimas pessoas queridas, geralmente retribuindo os cartões recebidos; optei pelo e-mail ou telefone, sem culpa, já que o faço de coração.

Ah! Um Feliz Natal pra você, claro!

(*) Licença poética: No centro do Rio de Janeiro, na Cinelândia, há alguns cartazes com a frase “Halloween é o cacete! Viva a cultura nacional!”, ou algo parecido. Só tomei emprestado o conceito.

Esportes: Rebeca

O inquérito policial sobre o dopping da nadadora Rebeca Gusmão no PAN 2007 foi encerrado sem o indiciamento de ninguém. A ODEPA cassou as medalhas conquistadas pela nadadora brasileira. Pelo que entendi, as instituições policiais não “metem a colher” nos assuntos das instituições esportivas, e vice-versa. Então, para que o inquérito?

Pelo que pude acompanhar no noticiário, Rebeca se diz vítima de perseguição “política” pelo médico. Mas quem trocaria a palavra ou a opinião de um poderoso e conceituado médico, pela de uma atleta que tem aparência – digamos – fora dos padrões das demais nadadoras brasileiras?

Como bom brasileiro e carioca estranho muito o fato de que os Jogos Pan-americanos do Rio tenham transcorrido em absoluta paz e segurança, e que não tenham ocorrido falhas significativas na organização das competições, antes, durante e depois. Não, não torci contra, que fique bem claro. Mas num país onde se trocam bebês nas maternidades, onde mulheres e adolescentes são encarceradas entre homens adultos, onde aparelhos gravadores são confundidos com caixas pretas de aviões e enviados para os EUA para análise após acidentes aéreos, onde figuras públicas e autoridades colocam-se ou são colocadas acima da Lei, entre outras aberrações, o que esperar?

Como dizem que “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”, penso que ainda haja “muito caroço debaixo desse angu”. Talvez o tempo nos diga quem está com a razão.