20 de set de 2011

Mais uma marcha contra a corrupção. A dos outros, é claro.

Hoje, no Rio, tem um evento popular contra a corrupção. Hoje, mas a luta é diária. Resta saber de quem.

A corrupção é uma grave doença social, que mata aos poucos a nação.
Como qualquer doença grave, o tratamento para a cura ou controle depende, primeiramente, da compreensão do indivíduo de sua doença e da necessidade do tratamento, e depois, de sua vontade em reestabelecer a saúde.
No caso, o doente é o Brasil. Mas da mesma forma que um diabético ou uma pessoa com câncer pode fazer, ele, o Brasil, prefere fechar os olhos para a necessidade do tratamento, do acompanhamento, do controle, o que faria com que vivesse melhor.
Se, por um lado, ele enxerga o que é saudável, por outro ele insiste em manter os velhos vícios que o mantém na doença.
O Brasil está sendo consumido pela corrupção, mas as células desse corpo - os brasileiros - estão muito divididas para que se vislumbre a possibilidade de cura:

Ao não se reconhecerem parte do todo, algumas células desqualificam a própria contaminação e, portanto, a sua responsabilidade na busca pela cura; algumas destas apenas aguardam uma oportunidade para se juntar às células totalmente enfermas, aquelas que não se importam com as outras células, apenas consigo próprias;

Outras células já se reconhecem como sendo o corpo - o Brasil, e buscam manter sua integridade para não serem afetadas pelas demais células contaminadas;

Existem outras células que apenas esperam um milagre; não acham que qualquer coisa que façam venha a fazer diferença;

E, claro, há aquelas células doentes, que não se importam com os males que causam ao seu redor; elas entendem que a normalidade é a patologia - a corrupção.


Cada integrante desse organismo é o responsável pelo seu bem estar, e se a maioria quiser, ele vai se tornar e permanecer a maior parte do tempo saudável.
O problema brasileiro é que, embora a corrupção esteja instalada no poder, e ela não deva ficar lá, a única forma de extirpá-la é extirpá-la de nós mesmos. Somos nós que admitimos as pequenas corrupções, ativas e passivas, e ela nada mais é do que uma ramificação da doença; se o poder público está cheio de corruptos, direta ou indiretamente nós mesmos permitimos que eles lá estejam, mas à maneira de um medicamento que, ingerido pela boca e que chega ao nosso cérebro para sanar uma dor de cabeça, podemos retirá-los. Mas isso, se nos reconhecermos parte dessa ramificação, parte do todo, reconhecer a doença que permitimos; e, obviamente, desejar o tratamento e a cura.

Ou então, continuemos convivendo com ela, a corrupção, se alastrando e destruindo o Brasil. Nos destruindo.

...

Ou então, mude-se o nome das campanhas para "Marcha contra a corrupção, mas só a do poder público".
Os demais ficariam dispensados da cobrança, e com suas consciências tranquilas...

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