13 de abr de 2008

Pra frente Brasil II

Acabei de assistir no Canal Brasil o filme Pra frente Brasil, de Roberto Farias, ano 1982. Já o tinha assistido na época de seu lançamento nos cinemas, e em alguma exibição na TV; com o passar do tempo, a história ainda persistia em minha memória, porém, sem a riqueza dos detalhes.

Associei-o de pronto ao quadro político-social brasileiro destes dias, e fiquei imaginando o que aconteceu para que se esquecesse de tudo aquilo pelo qual muitos lutaram e deram suas vidas e saúde, e concluí que muitos (acho que a maioria) dos que hoje estão em posições de poder público ou ocupando mandatos nas câmaras municipais, assembléias estaduais, congresso e senado federais, já tinham naquela época os anseios de liberdade, contrários aos interesses da ditadura militar. Os mais jovens, principalmente os estudantes, e os adultos, tinham informação suficiente para uma formar sua opinião e tomar uma posição (falo aqui dos que tinham ou poderiam ter uma participação ativa!). Os que ainda eram meninos, como eu, já tinham alguma noção dos excessos que aconteciam no país, tanto da parte dos militares quando da parte de seus opositores mais ferrenhos. Quem era contrário àquela forma de poder e conseguia falar, já não estava no Brasil ou simplesmente, desaparecia. “Subversivos” eram todos aqueles que se opunham declaradamente ao governo, usando palavras ou armas.

Pois bem: a anistia e, posteriormente, as eleições diretas, possibilitaram a chegada ao poder daqueles estudantes e adultos que citei acima, ávidos por liberdade. E o que a maioria deles fez com esta sonhada liberdade? Prosseguiu com a opressão do povo, esta manifesta de várias formas que hoje a mídia pode divulgar às claras. Houve progressos reais, econômicos e políticos, desde então, mas – lamentando por aqueles que um dia se sacrificaram - o “grande” legado da oposição à ditadura militar no Brasil foi a liberdade de expressão. De resto, “tudo como dantes...”

Vejo com bons olhos a pressão dos estudantes da universidade de Brasília pela saída do reitor que se valeu do cargo para viver uma “Dolce vita” à custa da nação (nós!), e acha que tem que ser assim mesmo; e ainda diz que foi eleito, por isso não sai. Se o Collor saiu, por que ele não sairia? Li agorinha que ele se afastou por 60 dias. Provavelmente para ganhar tempo enquanto a mídia não pega algum outro para Cristo e o deixam voltar em paz à sua vida de nababo. Mas não me surpreenderia se, dentro de poucas dezenas de anos, o comportamento de alguns destes estudantes que ocuparam a reitoria seja semelhante ao do tal reitor.

Antes que me contestem, principalmente se forem ligados à classe política, sugiro assistir antes ao filme (só vale se for recentemente!), uma rara belíssima produção do cinema nacional dos anos 80. Depois, opinem. Eu, aviso, dificilmente mudarei minha opinião.

2 comentários:

  1. Edu
    Tb vi o filme na época do lançamento(e assisti novamente agora) e compartilho totlamente com as tuas opiniões. Até hoje não entendo como tantos que lutaram por liberdade e homestidade HOJE sejam exatamente os que roubam e impedem o processo político de caminhar. Veja que vergonha o caso do imposto sindical sem fiscalização alguma!
    Carlos Romero

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  2. A vida é cíclica. Um dia a gente é vidraça; outro dia, é pedra. Uns levam isso muito à sério...

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