25 de fev de 2008

Brinde!

Sou do tempo em que se ganhava brinde “de graça”. Quando digo “de graça” é somente para reforçar que bastava comprar um produto, fosse ele qual fosse, e o brinde já vinha junto ou era trocado em algum posto de venda, sem que fosse necessário desembolsar um tostão (tostão também é força de expressão. Sou do tempo do Cruzeiro!).

Atualmente, os brindes não são de graça. Exemplo: você compra o jornal por uma semana, um mês, sei lá; recorta os selos que foram publicados, cola-os numa cartela; leva a cartela ao ponto de venda, paga uma determinada quantia e... “ganha o brinde”, que pode ser uma miniatura de moto ou de carro. Assim é com vários outros produtos, de revistas à combustível, todos oferecendo carrinhos vermelhos famosos, chícaras personalizadas... uma infinidade de coisas.

Dia desses um vizinho reclamava ter de comprar um jornal todos os dias para atender ao pedido do filho, que queria uma miniatura de motocicleta, já que todos seus coleguinhas estavam conseguindo as suas. Esqueci de dizer que são vários modelos, ou seja, haja jornal (e haja dinheiro pra quem não o tem sobrando. Isso sem levar em conta a qualidade da informação que se está comprando!).

Eu gosto de brindes, mas se tenho de pagar por eles, deixam de ser brindes para ser produtos. Neste caso, eu prefiro escolher onde, quando e como adquirir o que quero. Sou publicitário, e talvez por isso não me atraia a possibilidade de usar algo pelo qual tive de pagar -mesmo que seja bom e bonito- com a propaganda ou logomarca de qualquer empresa. Gosto de camisas de times de futebol, por exemplo, mas só usaria se ganhasse (de graça!) ou se me pagassem para sair à rua vestindo uma camisa em que esteja estampada a marca do patrocinador do time.

No caso dos brindes pagos, se você normalmente já consome os produtos que os oferecem, está ótimo, já pode até parar esta leitura. Se for comprá-los apenas pelo brinde, veja se poderia adquiri-los (os objetos “brindes”) em algum outro lugar, e compare os preços com o total que você gastaria (total de jornais, por exemplo, + brinde). Veja o que vale mais a pena, sem esquecer que um vem com uma logomarca, e o outro, provavelmente, não. Ah! Se o valor do brinde for menor, lembre-se de que quem o oferece comprou-o por um custo bem menor que o vendido no mercado e, talvez, menor que o da troca.

Ao meu vizinho: Seria bem mais fácil se educar as crianças dizendo-lhes a verdade: “Papai não pode gastar mais do que ganha!”, ou então ir ao camelódromo (mercado popular) e comprar as miniaturas, quem sabe mais barato que o brinde, com a vantagem do garoto não ter de esperar tanto tempo para brincar com seus novos brinquedinhos.

3 comentários:

  1. O chato é que ninguém se toca disso e essas campanhas geniais continuam por aí. Se as pessoas fossem mais espertas, não embarcariam nessa.

    Mas aqui, por exemplo, quando um artista usa sua imagem para vender um produto que lesa o consumidor, ele nunca sai queimado dessa campanha furada.

    O mesmo acontece com essas empresas. Essas estratégias me parecem um tiro no pé, pois são muito antipáticas e os brindes pra lá de mixurucas. O mistério é entender essa histeria coletiva por uns carrinhos/motos que podem ser encontrados em quaqluer camelô...

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