17 de ago de 2008

Na hora de votar, é bom lembrar que...

A Dengue

Políticos que se valem dos momentos de crise e de desgraças sociais para aparecer na mídia e atacar seus adversários não estão ocupados nem comprometidos com os interesses da população. Na epidemia de dengue no Rio de Janeiro, por exemplo, as autoridades federais, estaduais e municipais procuraram tirar proveito político de informações, atacando ou defendendo-se entre si. Verdadeiras ou não estas informações, nenhum proveito trouxeram ou trazem para a solução do problema principal: a epidemia. Os óbitos dela decorrentes, para estas autoridades, não passam de dados estatísticos. Já para as famílias, as perdas são irreparáveis.

A região mais atingida por esta epidemia na cidade do Rio de Janeiro foi a Zona Oeste, coincidentemente a que recebe menos atenção da Prefeitura. Qualquer justificativa em contrário não se sustenta diante dos números, quando comparados aos de outras regiões da cidade que recebem mais atenção e recursos, mesmo tendo uma arrecadação menor.

Ainda sobre esta epidemia, 20 picapes (de um total 218 veículos, conforme reportagem publicada em 19/03/2008 às 23h30m em O Globo - on line) cedidas pela FUNASA à Prefeitura do Rio em 2002 para o combate à dengue nunca foram utilizadas, ficando abandonadas a céu aberto num depósito em Campo Grande. Dupla negligência: da FUNASA, enviando veículos inadequados ao trabalho, e da Prefeitura, aceitando-os mesmo assim, sem providenciar sua substituição por outros.

O Trânsito e os Transportes

O trânsito no Rio e em São Paulo está cada dia pior. Uns dizem que tem muitos carros nas ruas, outros que tem muitos ônibus. O fato é que, havendo transportes coletivos e de massa eficientes e de qualidade, muita gente deixará seu carro em casa para ir ao trabalho, com mais conforto, de ônibus, metrô ou o esperado VLT.

No Rio, Há estudos, para redução das linhas de ônibus que circulam na Zona Sul, mas não se fala em estudos para aumento da oferta de linhas na Zona Oeste. Por que será que sobra em lugar e falta no outro? O metrô já chegou à Barra. De ônibus, é verdade, mas pelo menos chegou. O que falta para chegar também à Zona Oeste, ainda que de ônibus?

A CPMF

A CPMF não cumpria, por algum “motivo que desconheço”, seu objetivo principal, mas sua manutenção foi ferrenhamente defendida pelo atual governo federal, e sua extinção defendida com a mesma determinação pela atual oposição ao governo. Curioso: uns, atacando o que antes defendiam; outros, defendendo o que antes atacavam. Novamente interesses políticos acima dos anseios e necessidades da população.

A Im(p)unidade parlamentar

Que no processo de votação pela cassação de certo senador, toda a votação foi secreta, sendo ele absolvido, no final. Onde a transparência e ética, se eles se “protegem” e não podemos acompanhar seu trabalho?

A Câmara de vereadores do Rio, por sua vez, não vota projetos existentes para sua própria comissão ou código de ética.

Os Gastos públicos e a arrecadação

Poltronas massageadoras, reforma apartamentos não utilizados em Brasília, lixeiras de luxo... Há sempre um e outro escândalo envolvendo dinheiro público. Via ver que é por isso que tanta gente sonega impostos: para botar lixeiras high tech em sua própria casa, em vez de proporcionar este conforto a quem não o merece. É justo. O que não é justo é sustentar a vida nababesca de quem finge que trabalha pelos cidadãos.

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3.452/08 no último dia 12 de agosto, que cria 2,4 mil vagas de analista de políticas sociais, onerando em R$ 160,1 milhões anuais a folha de pagamentos. O argumento do Executivo: “A nova carreira vai suprir uma lacuna da administração pública, hoje carente de pessoal qualificado para elaborar e conduzir políticas sociais". (CorreioWeb, 13/08/2008 15:03). O grifo é por minha conta.

Contabilidade básica: se vai aumentar a despesa, é preciso aumentar a arrecadação ou cortar outras despesas. Nem comento o desastre, para o cidadão, da primeira hipótese. A segunda me parece mais adequada, e acho que uma ótima opção seria reduzir o número de parlamentares, ou os gastos com eles, até que se atingisse o valor equivalente aos novos gastos (R$160,1 milhões / ano).

Conclusão

A última coisa com que seu candidato (novo ou a reeleger) está preocupado é com você, eleitor.

A única coisa que ele quer de você é seu voto, para que possa tirar todas as vantagens da confiança que você depositar nele.

Se ele lhe deu ou promete que dará alguma coisa, vai tirar muito mais de você e da sua comunidade. Ele não é bonzinho; se fizer a limpeza da pracinha onde você mora ou abrir o posto de saúde 24 horas, não estará fazendo mais do que sua obrigação. Está sendo muito bem pago para atender aos interesses sociais coletivos. Quando um candidato recebe apoio de empresários, esteja certo de que eles estarão trocando favores e, você, eleitor, não está incluído nos benefícios desta troca.

Esqueça as pesquisas. Nada de votar naquele “menos pior”, já o conhecemos bem para cometer este erro. Use seu coração, intuição e inteligência. Vai que um dia dá certo...

Sim, deve haver um ou outro que seja diferente. Mas eu só votaria em alguém que conhecesse intimamente e confiasse bastante. Como não é o caso e sou obrigado a votar... “deixo a maioria escolher o NOSSO destino”.

2 comentários:

  1. Se omitir acho que não resolve o pb. Na realidade é isto que eles querem.O ponto chave é a educação do povo, as pessoas se preocuparem cm a política e com os políticos no dia a dia e não somente no momento das eleições.

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  2. Edu
    Como boa conhecedora das políticas tanto pública como privada, creio que o melhor é abrir a boca e lutar pelos nossos direitos. O marco para tudo isto, é a Educação, e o melhor meio de fazermo-nos presentes, é gritando para que os políticos entrem em escolas especializadas, pois para termos uma profissão é preciso muito estudo e eles não são diferentes. Lutemos pelo noos lugar.

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