15 de jan de 2010

"O Haiti é aqui, o Haiti não é aqui..." Ajudar para que?


Os olhos do mundo se voltaram novamente para o Haiti. Desta vez por conta de um terrível terremoto que atingiu o país no último dia 12, a aproximadamente 22 quilômetros de sua capital, Porto Príncipe. O número de mortos ainda é incerto, mas pode chegar aos 100 mil. Toda ajuda internacional, neste momento, é necessária, mas alguns brasileiros questionam a ajuda financeira do Brasil aos haitianos. Eu, inclusive. O motivo?

As últimas chuvas no final de ano, aqui mesmo, no Brasil, deixaram milhares de desabrigados e muitos mortos. Muita gente perdeu família, trabalho, moradia e não o que comer. Aliás, esta é a situação de muita gente por aqui, vítima das catástrofes sociais provocadas pela má administração pública e privada, e pela corrupção e falta de ética em todas as esferas do poder. Como não há punição alguma para quem faz errado ou deixa de fazer o certo, a tendência é aumentar o número de vítimas destas nossas catástrofes.
As catástrofes naturais podem até não serem previsíveis e evitadas, e é possível atingir do cidadão mais pobre ao mais rico, mas as ações decorrentes a médio e longo prazo podem ser mais eficientes; infelizmente, no Brasil, isso ainda depende do status social dos vitimados que sobreviverem.

Enquanto isso, no Haiti...
Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Hoje, seu principal produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, mas banana, manga, milho, batata-doce, legumes e tubérculos também são alguns de seus principais produtos. A economia haitiana é, há tempos, um completo desastre. O país, extremamente pobre, é tão miserável quanto o Timor-Leste; 80% da população vive em miséria absoluta; 45,2% é analfabeta, e a expectativa de vida é de apenas 61 anos. A renda per capita é 1/3 da renda da “nossa” favela da Rocinha. 90% dos haitianos são de ascendência africana. Ah... Isso explica o título, eu acho! Tanto no Brasil quanto no Haiti, a escravidão deixou (e deixa) seu rastro de miséria ou pobreza. Antes, explorados à exaustão, depois descartados, os escravos; libertos, não receberam qualquer indenização. Imagine um país com 90% da população descendente dessas pessoas. Mas tem mais...

Como Haiti chegou a esta situação?
Pra resumir, a ilha descoberta por Cristóvão Colombo em 1492, já teve a parte correspondente ao Haiti cedida à França pela Espanha em 1697, sendo a mais próspera colônia francesa na América no século XVIII, graças à exportação de açúcar, cacau e café, plantados e produzidos pelos escravos. Após uma revolta destes escravos, em 1794 a servidão foi abolida (a primeira abolição nas Américas), mesmo ano em que a França passou a dominar toda a ilha. Após um período de disputas entre franceses e espanhóis envolvendo a morte de um ex-escravo que se tornara governador-geral, independência do país, divisão de terras, reocupação, reunificação e, nova a independência – a da República Dominicana, o Haiti pôde ser finalmente, ele mesmo. Da segunda metade do século XIX ao começo do século XX, 20 governantes sucederam-se no poder, sendo 16 deles depostos ou assassinados. Para completar, ocupação norte-americana, uma feroz ditadura que exterminou a oposição, estados de sítio, protestos populares, fuga de ditador, seguidos golpes de Estado pelos militares, sanções econômicas da OEA e ONU (e pressão dos EUA); e mais: bloqueio total ao país, novo estado de sítio, e intervenção militar, em 1994, liderada pelos Estados Unidos; daí em diante, apesar de avanços na área política, o Haiti viveu mergulhado em crises, e as necessidades básicas do povo haitiano só aumentaram; a suspeita de manipulação nas eleições de 2000 com pedidos de renúncia do presidente e os conflitos armados nas ruas culminaram com um pedido de assistência às Nações Unidas para apoiar uma transição política pacífica e constitucional e manter a segurança interna, e o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio da Força Multinacional Interina (MIF), liderada pelo Brasil, para esta tarefa. Posteriormente, foi estabelecida a “Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti”, que assumiu a autoridade exercida pela MIF em 1º de junho de 2004.

Então, o que o Brasil tem com isso?
Do ponto de vista econômico, absolutamente nada. Espanha, França e Estados Unidos, de algum modo e em algum momento, foram os países que se beneficiaram do que o Haiti tinha para oferecer, e pelo que vemos hoje, não deram nada em troca. Já passa da hora de retribuir.
Do ponto de vista político e social, embora não seja sua responsabilidade, o Brasil já tem ajudado muito, inclusive com a exposição da vida dos militares e civis que lá estão ou estiveram, seja para reestabelecer a ordem, seja para assistir a população necessitada. Mas isto caberia, primordialmente, à Espanha, França e Estados Unidos.
Do ponto de vista humanitário, entretanto eu não questiono: temos tudo a ver. A solidariedade e a compaixão à dor física e moral não deve ter fronteiras, embora deva obviamente respeitar as convenções internacionais e a soberania de cada nação.

Assim ajude o quanto puder, seja aos brasileiros ou aos haitianos. Ou a qualquer outro povo que precise. Com dinheiro, doações ou serviço. Mas ajude, principalmente, com seu tempo: experimente dedicar pelo menos um minuto do seu dia, por alguns dias, a emitir um pensamento positivo, desejando um alento a cada vítima destas tragédias naturais ou sociais, ou mesmo de cada tragédia diária,como um acidente de trânsito, por exemplo. Se for tudo que você pode fazer, faça. E agradeça, se não for você o necessitado da ajuda.

Ah! A padroeira do Haiti, na Igreja Católica, é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.


Fonte: wikipedia.org

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