14 de jun de 2011

Um vídeo comovente e inocente. (Mas será inocente mesmo?)



Recebi de um amigo, por e-mail, o vídeo acima, acompanhado do seguinte comentário:
Tudo bem, tudo bem ... eh o sistema, algumas pessoas sao "obrigadas", mas e dai? Orgulho?! Na boa ... xenofobias a parte, isso nao deixa de ser absurdamente CONTRADITORIO! E por isso mesmo despertou em mim, simultaneamente, sentimentos antagonicos. Q droga! Se pelo menos algumas vezes a gente consegue sentir os reais valores da vida, pq sair ... pra tirar a dos outros!? (L)
Penso que filmes ou historinhas assim, apesar de bonitas e comoventes, devem ter avaliadas as verdadeiras intenções com que foram produzidos. No caso específico, vejo como manipulação política: nacionalistas ao extremo, os 'comandantes' norte-americanos se utilizam da guerra para demonstrar poder aos outros povos; os políticos 'estadunidenses', por sua vez, "precisam" justificar isso para seu povo (a indústria da guerra movimenta muitíssimo dinheiro, e muita gente, lá, também se aproveita da situação para faturar um extra, bem parecido com o que acontece aqui no Brasil, onde o foco são as obras públicas) e acentuam através da mídia este sentimento nacionalista com a demonização de figuras como os comunistas, em uma época distante (os ETs não eram tangíveis...), ou como os mais recentes Sadam e Bin Laden, e/ou com filmes como este, que aparentemente inocentes, nada mais fazem que exaltar a vitória - o poderio - dos militares de lá.
No caso de derrota, provavelmente veríamos cenas de pessoas lamentando um familiar que não voltou do combate, dizendo nas entrelinhas: "Vejam como nossos inimigos são maus!".
O efeito seria o mesmo...

O que estou querendo dizer é que chegam até nós, principalmente via Internet, imagens de todo tipo: comoventes, chocantes, inocentes ou revoltantes; mas, na qualidade de seres pensantes, temos o dever de avaliar a possibilidade de haver ou não uma 'segunda' intenção naquilo que estamos presenciando. Não se trata de "procurar chifre em cabeça de cavalo": o convite é, simplesmente, refletir. O bordão "Me engana que eu gosto" faz mais sentido em nossa vida do que imaginamos: fechamos os olhos para  muitas coisas que, na verdade, duvidamos, ou que temos certeza que são mentiras, apenas por comodismo, medo ou qualquer outro motivo. Simplesmente, as aceitamos. A manipulação existe em todo canto, a toda hora, com todo mundo; cada um de nós também manipula alguém (às vezes sem preceber), em algum momento, por algum motivo, por isso não podemos sair por aí "atirando a primeira pedra"; sem contar que nem sempre a razão está do nosso lado...

Esta visão crítica da mídia - e de tudo e de todos, de um modo geral - é uma melhores coisas que o curso de Comunicação Social me proporcionou, ou exacerbou (por vezes, também, é uma das  piores - olhe os sentimentos antagônicos aí!).

4 comentários:

  1. Muito legal Edu.

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  2. Ana Paula Maia17/06/2011 12:31

    Não sei se já estou vacinada com essas falsas idéias , que já não me emociono mais.Percebo, assim como voce Edu que os fins não justificam os meios.A ideia do video para mim teve a intenção de enaltecer a vida desses militares que obrigados a fazer seu dever, precisam de uma bela dose de incentivo e reconhecimento( mesmo que destorcido)para continuarem em sua missão.Essa meia duzia que volta com um sorriso no rosto e a família esperando,não reflete a realidade,mas como disse é preciso mostrar , incentivar e reconhecer.
    Quando se fala em AMOR,FAMÍLIA , se fala em DEUS.
    Onde estão as leis de DEUS nesse momento???
    Talvez eu esteja vendo apenas um lado da história, enfim...Whatever...

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  3. O vídeo é comovente porque,independente da intenção com que foi feito,mostra o sentimento sincero de pessoas que se amam,depois de uma separação imposta por motivos tão mesquinhos.Inocente com certeza não é,por isso se utiliza principalmente de crianças em suas imagens e mostra para o ''mundo'',o que deveria ser um momento de privacidade das famílias.
    A guerra é sempre estúpida,triste,inconsequente,é a pior solução sempre.A felicidade dessa pessoas infelizmente não diminui em nada a tristeza das famílias dos que não retornaram,e nem mesmo a daqueles que,considerados ''inimigos'',também tiveram as vidas dos seus familiares tiradas em nome dessa guerra sem sentido.

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  4. Valeu, Lander!

    Ana Paula e Bete: Toda história tem, pelo menos, duas versões. O problema é que na guerra não existem reais vencedores em nenhuma delas.

    É comovente, sim; mas inocente, não.

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